sábado, 20 de novembro de 2010

Pequeno poema infantil ou O cheiro da lua


Luz
Bela luz
A lágrima que, bela luz, irrompe de minhas janelas de minha alma à rubra e rósea aurora matutina
O doce aroma da dor
A doce dor de morrer, de ver o marfim de ver a saliva de ver o suor e os pelos
De ver o sorriso, todo o belo sorriso
Em meu pequeno céu havia lua
Havia luas
Dois luares amarelos
Dois olhares amarelos
Em volta e no meio era o negror
Fora era a luz cegante...
Indo cada um em uma órbita distinta
Eu, uma magnética convergência natural para a órbita do marfim
A órbita carmim do marfim
E eu, tão pequeno, tão só, tão pasmo ante nemética manhã
Artimanhã...
E nem parece que agora foi meu despertar... Pois o aroma e o sabor do alimento da primeira refeição me chamaram e eu, célere e belo, levantei como se sequer fosse necessário despertar.
Não era necessário despertar.
Era necessário dormir.
Não era necessário navegar.
Era necessário viver.
E fui, porque era necessário ir
Não havia como ficar.
Havia o doce
Havia o amargo
Havia o salgado
Sal
Havia as garras do dia
Macias, belas, más...
Sabor
Sabor
Sabor
Eu também era sabor, eu era todo sabor pra lua que doeria mais que o sol em meus olhos pretos e retintos
E saio de minha fêmea
E deixo meus filhos
E sigo
Rumo aos umbrais do que julgo ser o paraíso
Rumo ao aroma
Rumo ao vermelho
O úmido
Ao marfim
E esse gato vesgo fodido, filho da puta, me mordeu!
CARALHO!!!
Quem foi o corno que comprou a merda de um gato?!
PUTA QUE PARIU!!!
E precisava ficar me jogando pra cima e aparando na boca antes de me devorar?!
CUZÃO!!!
Quem foi o CARALHO que colocou queijo com rapadura na tigela do puto do gatoooooooooooooooooooooooooooooooooo...
>squlirczhyirstch<
(onomatopéia alemã de tripas de ratos espirrando nas paredes carcomidas de meu quarto, por graça de Deus e por obra de Maura Lee dos Santos)


Belém, 24 de outubro de 2010.

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