terça-feira, 20 de julho de 2010

Enfim, a wonderful world (1ª parte)


Presente cotidiano
De certa feita, para utilizar uma forma mais tradicional de se iniciar uma fabuleta, em uma história de ficção científica, uma galinha, Rosamund Nama ‘Om, belíssimo espécime de raça moura, nascida em Bangladesh (Não perguntem o porquê de esses eventos jamais terem o Brasil como pano de fundo. No fim do texto eu respondo.), como uma vulgar galinha qualquer bangladeshiana, resolve se inteirar de seus direitos civis e animais na delegacia regional do Instituto Bangladeshiano de Apoio à Matança de Animais (Oh! Que estranha a coincidência das iniciais!), e se descobre, enquanto espécie, presa de uma maquiavélica trama, organizada pelos seres humanos, que escraviza sua raça milênio ante milênio e planeja escravizar milênio após milênio, submetendo- a as mais infames torturas físicas e psicológicas mais escatológicas e estapafurdiamente atrozes, que vão desde união matrimonial forçada de galinhas pré-púberes com galos idosos, em uma imoralidade cruel (Coisa que os humanos jamais fariam consigo.), instituindo uma poligamia forçada e o incesto em seres normalmente pudicos e monogâmicos (Coisa que os humanos jamais fariam com os seus.); Daí, passam ao ato de obrigar as galinhas a submeterem-se a sanha seviciosa dos galos, de estupros e violências sexuais (Coisa que os humanos jamais fariam com os seus?), com a finalidade de comerem os pintos, em um crime bárbaro que os galináceos chamam de pintofilia e exportá-los para outros locais para que sejam explorados da mesma maneira que os seus pais e genitores, que muitas vezes sequer tem o prazer de conhecer, configurando outro crime hediondo chamado de tráfico avícola (Coisa que os humanos jamais fariam com os seus. Publicamente, é claro.); culminando essas serie de infaustos eventos com a sordidez do achincalhamento de “colega” às galinhas! Como se, por serem bichos, não merecessem respeito!
Inteirada de tão sórdido projeto humanitário, Rosamund Nama ‘Om, junto a seu irmão Rosebud ‘Fa Nama ‘Om, resolveram traçar um plano mais atitudinal e, assistindo “A fuga das galinhas”, pero imbuídos de um espírito mais filosoficamente iluminado, imediatamente perceberam que na vida real os facões eram muito eficientes, e que eram raros os granjeiros que, preocupados com o conforto das galinhas, que passavam meses e rasgavam ânus a seu serviço, instituíam a eutanásia, com um tapão na cabeça das galinhas antes de passar a faca. A maior parte deles tava cagando para a dor e o desespero pré-mortis (Existe este termo?) animal e as matavam a sangue frio.
De fato, a saída não era por aí.
Uma bela noite de lua nova, fugiram da granja e ganharam o rumo das montanhas (Bom, eu não tenho a menor idéia de como seja o relevo de Bangladesh, ou mesmo com qual intuito eu escolhi um lugar com uma porra de um nome tão escroto de escrever. Mas vamos, a partir de agora, criar uma montanha gelada em Bangladesh, que eu suponho que fique no ensolarado Canadá, próximo ao lago Titicaca.), levando apenas os ovos filhos e sobrinhos (Os mesmos ovos, a relação de parentesco é que muda.) e se esconderam em uma caverna, onde viveram maritalmente, porem sem jamais perder o foco de seus objetivos de tomar o mundo e reverter a situação de todas as galinhas, as quais não foi sem pesar que abandonaram ao sacrifício, mesmo com a perspectiva de salvá-las (Hã?!). Rosebud ‘Fa Nama ‘Om era o responsável pelo sustento da família, o que fazia com desenvoltura, matando a golpes de esporão búfalos selvagens e pítons (Cuma?!), que levava para alimentar Rosamund Nama ‘Om (Que tomava conta da educação revolucionária dos pintos, desde que estes nasceram.) e os pintos, desde que estes saíram do ovo. E nasceram belos e fortes. Todos amarelinhos, pois eram cruza de leghorn com mouro.
Com dois meses de idade, os franguinhos começaram a ser treinados em manobras militares e técnicas de defesa pessoal, no sistema oriental de artes marciais conhecido mundialmente pelo nome de Hrthrchin’k’khann’br aerionasrtywnmmcionhdo-dô, que os tornou verdadeiros animais! Isso sem levar-se em conta o fato de constituírem uma variedade de galinhas exclusivamente carnívoras, posto que foram alimentados com carne crua desde o seu nascimento, o que contribuiu enormemente para o aumento de sua inteligência lógico-matemática.
Namah Nama ‘Om, Ishtubba Khann Nama ‘om, Yiwi-Rá Akuma Nama ‘om e Namira Kwan Fo’ootaka Nama ‘om (Esta ultima uma galinha caolha, sobrevivente do ataque de um falcão das montanhas (espécie rara em risco de extinção iminente, afinal só existe o exemplar que eu criei para este texto), que ela matou e comeu, às quinze semanas de vida.), passeavam um dia pelo sopé da montanha quando viram uma criança turista alemã e rabicunda (Aqui abro um parêntesis, para explicar, caralho, que se vocês acham que eu não tenho a menor idéia do que signifiquem os termos que eu uso, estão redondamente enganados. Saibam que eu comecei a ler com, aproximadamente, cinco anos de idade, e de lá pra cá me dedico a consumir uma media de cinco livros por mês, de Júlia a Barsa e de Eco a Foucault, passando por Walt Disney e Makarenko.) que distraidamente charlava pela baldia circunvizinhança montanhesa, filosofando sobre as vicissitudes lingüísticas de sua prosopopéia; e desejaram variar o cardápio, substituindo os búfalos e as cobras por carne branca, que sempre ouviram dizer (Discovery Channel.) ser mais saudável.
Falta-me o fôlego ao descrever os gritos de medo e pavor, quando viu aquelas quatro imensas galinhas acercando-se e cercando-o, falando em humanês fluente, em sete deferentes idiomas, até fazerem-se entender claramente pelo garoto.
Ishtubba Khann Nama ‘om, como porta-voz do grupo disse:
-Hoje tua raça haverá de iniciar a jornada de pavor que a levará a sua destruição completa e inevitável.
-O que eu tenho com isso? Sou uma pobre criança turista alemã, porra!
-Tu serás a mola mestra de tal processo.
-Como?!
-Não! Comeremos-te, nós. E mandaremos somente os teus órgãos sexuais e o buraco do teu cú para os teus pais em Berlin.
E avançaram para o garoto. Também me falta o fôlego para contar que o garoto gritou de dor enquanto bravamente lutava contra as esporadas e bicadas que lhe abriram o ventre, rebentaram a carótida e explodiram o fígado, em meio ao ávido furacão da vingança galinácea e da fome; e da satisfação de refestelar-se no prazer da refeição.
Foi quando viram a luz: Se uma galinha era o suficiente para alimentar dois seres humanos (Em generosas porções.), um ser humano era suficiente para alimentar quatro galinhas carnívoras lutadoras de Hrthrchin’k’khann’br aerionasrtywnmmcionhdo-dô, a pirâmide alimentar estava apresentando uma séria incongruência (Ponto de vista das galinhas, eu também não entendi o que o narrador (Porra! Sou eu!) quis dizer.). Era muito mais fácil acabar com a fome no mundo se o rebanho viesse a ser mais rentável! (Eu acho que já entendi mais ou menos.). Se as galinhas não eram socializadas pelos granjeiros para aplacar a fome no mundo (Como se as galinhas fossem se entregar sem luta.), as galinhas dominariam o mundo e socializariam suas fazendas de homens adultos reprodutores (Como os homens fazem às matrizes.), adolescentes (Como os homens fazem aos frangos.), crianças (Estes últimos já provados e aprovados.)( Como os homens fazem aos pintos.), sem livrar sequer a cara dos velhos (Como os homens fazem as cocotas.). Sem esquecer a possibilidade de usar seres humanos para fins de lazer sexual (Como os homens fazem a todas as gerações galináceas.).
Continua...

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