sábado, 27 de março de 2010

A maravilha do século!!!


Vejam, doces irmãos: A maravilha do século chegou e está sendo explicitada neste preâmbulo metadissertativo e parassimpático (ou seja, só pra quem é legal (pelos meus parâmetros, é claro!!!)) (nossa! faz muito tempo que eu não coloco um parêntesis dentro de outro... quase me esquecia da maravilhosa sensação de sorver o ódio dos leitores que se perdem no intertexto encaminhante (e dês) dos hipertextos suscitados pela minha deselegância vernacular) Todo aquele que viveu até agora, verá. Não será necessário viver alem disso para ver. Afinal, está acontecendo agora.. Enfim todos os seus desejos de paternidade serão atendidos; e todos se resumem em uma só palavra: paz.
Imagine um mundo sem guerra... não será de serventia alguma se quando você chegar do front seu filhinho lindo de oito meses estiver lambuzado de merda dos pés à cabeça. E fizer um escândalo infame por que você se recusa a pegar nele se não for com uma pinça. Uma grande pinça... Ele começa a chorar desesperadamente, com um sorriso meu no rosto melado. E sua esposa vem, com a fúria das Valquirías, com a ira de Khan (é assim que escreve?) e com todo o esplendor de Rá, gritando: "pega o menhêno! tu é pai!!!" ó triste dor a do portador de necessidades gramaticais. É uma dor que dói nos outros... Ò triste a dor dos pais de crianças mal-humoradas... Ó triste dor dos que casaram com megeras...
È triste você chegar e ser esperado pela merda que assola as crianças... Crianças são tão legais... Seriam perfeitas se não tivessem orifícios excretores. E você vê no comercial aquele creme que vai deixar sua pele igual a bumbum de bebê. (eca!!!) se esquecem que poucas coisas no mundo são mais imprevisíveis e fedidas que bumbum de bebê! Imagino a cena: amor, sua pele está igual bumbum de bebê; é mesmo, amor; é sim; foi o creme X que eu usei; esse creme é feito de merda???; Ai seu grosso, eu te odeio!; E eu odeio merda...
Outra coisa é onde pegar: Onde, raio, é que se pega em uma criança??? Não tem nenhuma indicação! Qualquer lugar fica esquisito. Uma vez reclamaram por eu colocar uma peitoreira no Sataney (meu caçula) (tenho cinco filhos: o Sataney; o Satanael; Satânia; Satanádia; e Ulrich Namanaskov, que chamamos pelo angelical apelido de Namael (esse rapazito já me matou cinco gatos...) (e a peitoreira era linda, de listras, que eu paguei os olhos da cara no pet shop, porque o vendedor me disse que prevenia pulgas...) Que outra opção eu tenho para levar o garoto?! Porra, onde eu poso pegar???
Já pensou a outra opção? Você chega em casa; aperta um botão e seu filho é lavado automaticamente; você clica outro e ele se cala; outro e ele começa a fazer gracinhas fofas... Aí você aperta outro botão, e ele começa a ficar com soninho... Aí você desdobra a alça de vinil e o leva ate o berço. Mata sua esposa. Abre uma cerveja. Senta. Põe um disco da Selma Reis. Apaga as luzes e dorme. Sabendo que no outro dia será feliz... De repente: um susto:no seu peito aquele pacotinho humano de carne e fezes; você foi covarde e a noite passou rápido por causa disso; você começa a lavar a coisa infecta e pútrida até que volte a se parecer com o seu filho... Você desolado procura os botões e a alça; e olha pela janela, para o autidó: “Crianças por encomenda: autolimpantes, com on/off, controle de humor e alça. Pré-vendas pelo fone abaixo.”
Se você tivesse tido um pouquinho menos de pressa...


Belém,27 de março de 2010.

terça-feira, 23 de março de 2010

Sen-Kin-Din e o “Movimento dos barcos”

(Porcalion Suí-Suiel)

(Jards Macalé e Capinan)

A escada. A grande, a longa escada a subir; e eu a subir na longa escada. Ao céu. A escada, a longa escada... Cansativa. Meus pés cansados. Meus ombros se curvam; minha cabeça dói...
“Estou cansado e você também”
Então vou reunir os meus restos; os restos de mim nas coisas que eu deixei espalhadas pelos teus cantos... Pelos cantos de você... Pelos cantos da tua boca; pelos cantos dos teus olhos; pelos teus cantos de você... Por todos os teus ângulos de visão, por todos os suores do teu cansaço; por todos os amores do teu abraço: Eu estou indo.
“Vou sair sem abrir a porta”
Com os meus restos... E com os restos de você que eu peguei pra mim. Os seus restos que agora são os meus restos. Mas não deixei meus restos pra você; não deixei nada pra trás...
“E não voltar nunca mais”
Não existe retorno. Não importa o lado para onde vamos. Não importa o lado de onde venhamos ou voltemos. Sempre é uma ida. Todas as voltas são idas. Sempre se vai. Todos os homens vão. Pra frente ou pra trás. Nós porcos seguimos em frente. Nunca olhamos pra trás. Nós olhamos para o lado e para frente; nós seguimos em frente. Pra quem segue em frente não existe perdão. Nunca haverá perdão. Mas a gente não cansa de pedir:
“Desculpe a paz que eu lhe roubei”
Mas não me perdoe. Eu nunca perdoarei... A paz que eu tinha e que você me roubou... Você rouba coisas... Você rouba lençol; você rouba meias... Até minhas meias palavras você roubou para que eu deixe de falar como eu falo. Como eu vivo você não quer... Que... Eu... Viva... Também quero que você morra. Não sei se vai morrer, mas eu quero que você morra! E quero muito. Quero muito que você morra por tê-lo matado; por ter me preferido quando podia ter a nós dois; e porque agora prefere que eu morra. Você sempre prefere que eu morra. Eu prefiro que você morra.
“E o futuro esperado que eu não dei”
? Como te dar o que eu não terei pra dar? Nem você pode crer nisso... Só podemos dar o que temos... Só podemos ser o que somos; e fomos tranqüilos enquanto não pensamos nisso... Por qual razão era preciso pensar nisso? Não sei! Nunca sei Mas sei que ele foi tirado de mim; de nós dois... E isso levou a nossa felicidade... Mas eu sempre soube...
“É impossível levar um barco sem temporais”
Não existem águas mansas; tudo o que é vivo se revolve; se move; opina... Vive... Vive... Enquanto dá, se vive. Depois, a escada. O topo longe.
“E suportar a vida como um momento além do cais”
Como o que resta. Mas a vida é mesmo o que resta depois que nós passamos. Depois de nós nos irmos; como as fezes diarréicas de um dia de grande dor que se prenunciam por um enorme arrepio
“Que passa ao largo do nosso corpo”
E segue em frente se juntando a toda a merda que recolhemos das tristes relações da nossa vida; de todos os momentos tristes. De todo o cansaço. De todo o cansaço. De todo o cansaço... De tudo o que me lembra você: seu cheiro me cansa. Seu rosto me cansa. Seu sabor me cansa. Toda sua intelectualidade barata me cansa. Toda a merda que vem de você me cansa. E eu estou muito cansado para ver o tempo correr; ou para ver o tempo andar; ou se arrastar; ou o diabo que seja.
“Não quero ficar dando adeus”
Nem vou ficar... Devo ter algum tempo, ainda; e é muito bom o vento no meu focinho, se espalhando no meu rosto...
“As coisas passando, eu quero”
Eu quero ver as coisas passando, as pessoas nas janelas; a linda criança brincando; a loira vendo tevê; os baixinhos gordos fodendo; a idosa tentando fazer o que eu fiz; a outra opção é a reciclagem... Talvez ela opte bem depressa... Além de ver as coisas passando, o melhor
“É passar com elas, eu quero”
Continuar a queda, a longa queda. Ver baratas na parede... E levar meus restos; seus restos que eu roubei, que vão cair comigo. Para morrer comigo; queria levar tudo de uma Vaz; mas não posso: você sempre fez suas escolhas e escolheu que nem nossas secreções podem mais se misturar; nossa saliva; nosso sangue; nossa dor; Só nossa merda toda não poderá ser mais separada. E você sempre seguirá levando algo de mim. A despeito de eu ter levado tudo... Sempre ficam suas impressões... Mas, é verdade, são suas impressões; não minhas, minhas impressões são suas. Então esta queda te aleija. Minha queda te aleija. Não ficarás com nada de meu eu; mas eu te levo no meu peito; para explodir junto com as minhas vísceras no asfalto... E os cães jovens comerão os despojos... E um cão velho e sarnento comerá os meus e os teus restos; lamberá a lembrança do que um dia fomos
“E não deixar nada mais”
Nada além de você.
“Do que as cinzas de um cigarro”
Do seu cigarro; do teu vestido machucado e com as minhas marcas; molhado com o meu choro; manchado de meu sêmem; mas hoje tua face é dura; e é com desprezo que olhas para a mulher que vem ao lugar e acende um círio para mim... E para o que eu matei de ti. Não te iludas ao olhar para o rosto dessa mulher
“E a marca de um abraço no seu corpo”
Ela não é parte tua do modo como eu era; e também não me pertence. Ela vai embora. E eu já fui. Portanto, não,
“Não, não sou eu quem vai ficar no porto”
Olhando só. Só olhando. Eu o fiz demais. Não ficarei mais só. Você ficará só, sozinha...
“Chorando, não”
Chorar é castigo pouco; só chora quem se arrepende; e você é má: você não se arrepende; você não olha pra trás. Mas vai ficar pra trás
“Lamentando o eterno movimento”
Movimento dos barcos, movimento
“Movimento dos barcos, movimento”
Lamentando o eterno movimento
“Lamentando o eterno movimento”
Movimento dos barcos, movimento
“Movimento dos barcos, movimento”


Belém, 24 de março de 2010.


(no fim dos tempos todos os porcos viram anjo)
(Namah Vaughan é primo legítimo de Currian Fudit, hoje Pigmalion Porcael ( ver Spiritual Sem-Kin-Din, neste blog, ou no meu livro Problemas Crônicas de Adaptação). Voughan passa a ser o narrador deste texto como o porco astral Porcalion Suí-Suiel, que ditou-me este texto, que eu psicodigitei)
(E nos prova que existe uma lei que rege a queda dos porcos; da mesma forma que outra rege a queda dos corpos; e as duas regem a queda dos corpos dos porcos)
(e seremos todos azuis)

domingo, 14 de março de 2010

UMA SOLUÇÃO

As famílias tem uma grande preocupação para com o conforto dos seus idosos sempre, é claro, partindo da premissa que, indiferente a distância, sempre estão nos seus corações, para tento os mantém cada vez mais distantes de si. Vivos ,limpos, bem arrumados, com boas fraldas geriátricas, com ração na hora certa e tudo o mais necessária para uma boa sobrevida vegetativa, que é o que me espera se eu continuar a escrever essas porras.
Nos dias de hoje, a mídia tem uma grande preocupação de aproveitar-se da força de trabalho que ainda existe nos idosos, sob o pretexto de incluir os ditos cujos na vida social da sociedade dos que se associam a ela como sócios. È muito bonitinho vermos os velhinhos trabalhando para alimentar com sua renda a família, e para que o governo venha a ter um grande lobby na causa sócio-inclusiva.
Eu acredito, que os dois maiores problemas do mundo são a fome e o oneramento do espaço urbano e eu acho que encontrei uma forma de resolver estes dois problemas e as duas grandes angústias dos parágrafos precedentes. E esta solução tem um nome muito em voga no naturebismo atual: Compostagem.
Observem:
Os velhinhos poderão trabalhar nas estações de compostagem, assessorados pelos agentes do SUS e seria um grande cartaz para as instituições governamentais, que estariam de fato incluindo os idosos na vida pública em prol da causa social e do conforto destes e de suas famílias. Os idosos não apenas se sentiriam úteis: Eles o seriam de fato. E estariam confortáveis com isso, exercitando o corpo e a mente; combatendo Parkinson e Alzheimer. A fome seria indiretamente combatida com o enriquecimento do solo, não só com o trabalho dos novos e dedicados trabalhadores, mas com a compostagem destes mesmos como uma espécie de dedicação exclusiva à causa do progresso da humanidade, já resolvendo o problema do espaço urbano, visto que à compostagem de velhos poderia seguir-se a compostagem dos abortos e demais corpos humanos que desnecessariamente lotam e inutilizam o grande espaço que ocupam os cemitérios nas cidades, espaço este que poderia se converter, primeiramente em hortas comunitária, posto que já esteja compostado, depois em casas, vilas , condomínios e postos de saúde, praças, etc...
Eu sempre fui a favor não do desperdício da matéria orgânica humana, mas do aproveitamento integral do homem, como vocês verão em outros textos por aí e sempre deixei isso muito bem claro. Não costumo ser hipócrita a esse respeito. Uma vez, em meus primeiros dias de serviço público, em uma dinâmica sócio-reflexiva da qual a contra gosto eu participava (sabe aquela da ilha deserta?!), explicitei o embrião desta croniqueta, mas com hansenianos trabalhando e adubando hortas. Fui taxado de preconceituoso, e olha que os facilitadores é que usaram o termo “leproso”.
Sabe, todos riram divertidos, porque internamente adorariam dizer o que eu, inexperiente quanto ao modo de as pessoas lidarem com sua hipocrisia, disse. Depois, é claro, devidamente e mui eticamente me tacaram o caralho. Nada que me assustasse, embora me irritasse o bastante e eu depois de deixar algumas coisas muito bem claras, me calei porque pude constatar que todos eles, assim como você que riu em algum trecho deste texto, já pesou em se ver livre de todas as responsabilidades que você tem para com todos os que de você dependem, pouco se importando se eles vão adubar uma banana que alguém comerá, desde que você não seja constrangido a lembrar-se disso.


Belém, 21 de julho de 2009.

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