sábado, 20 de novembro de 2010

Pequeno poema infantil ou O cheiro da lua


Luz
Bela luz
A lágrima que, bela luz, irrompe de minhas janelas de minha alma à rubra e rósea aurora matutina
O doce aroma da dor
A doce dor de morrer, de ver o marfim de ver a saliva de ver o suor e os pelos
De ver o sorriso, todo o belo sorriso
Em meu pequeno céu havia lua
Havia luas
Dois luares amarelos
Dois olhares amarelos
Em volta e no meio era o negror
Fora era a luz cegante...
Indo cada um em uma órbita distinta
Eu, uma magnética convergência natural para a órbita do marfim
A órbita carmim do marfim
E eu, tão pequeno, tão só, tão pasmo ante nemética manhã
Artimanhã...
E nem parece que agora foi meu despertar... Pois o aroma e o sabor do alimento da primeira refeição me chamaram e eu, célere e belo, levantei como se sequer fosse necessário despertar.
Não era necessário despertar.
Era necessário dormir.
Não era necessário navegar.
Era necessário viver.
E fui, porque era necessário ir
Não havia como ficar.
Havia o doce
Havia o amargo
Havia o salgado
Sal
Havia as garras do dia
Macias, belas, más...
Sabor
Sabor
Sabor
Eu também era sabor, eu era todo sabor pra lua que doeria mais que o sol em meus olhos pretos e retintos
E saio de minha fêmea
E deixo meus filhos
E sigo
Rumo aos umbrais do que julgo ser o paraíso
Rumo ao aroma
Rumo ao vermelho
O úmido
Ao marfim
E esse gato vesgo fodido, filho da puta, me mordeu!
CARALHO!!!
Quem foi o corno que comprou a merda de um gato?!
PUTA QUE PARIU!!!
E precisava ficar me jogando pra cima e aparando na boca antes de me devorar?!
CUZÃO!!!
Quem foi o CARALHO que colocou queijo com rapadura na tigela do puto do gatoooooooooooooooooooooooooooooooooo...
>squlirczhyirstch<
(onomatopéia alemã de tripas de ratos espirrando nas paredes carcomidas de meu quarto, por graça de Deus e por obra de Maura Lee dos Santos)


Belém, 24 de outubro de 2010.

domingo, 24 de outubro de 2010

Enfim, a wonderful world (6ª parte - final)

• O ano é o de 200.000.007 do cristo dos homens sobre a Terra:
Uma criatura estranha e esverdeada cava a terra fuçando com algo que seria o arremedo de um nariz híbrido, de uma época em que havia comida e havia terra, portanto, havia o que cheirar. Acha os despojos que seus sentidos lhe disseram que ali estavam desde a manhã dos tempos, e senta-se com eles em suas patas de poucos dedos sobreviventes à fome dos dias, e raras penas, curtas e ásperas e duras como as que cobrem o seu corpo, indiferente a sua raridade de abundância fóssil-alimentar. Sob uma leve chuva ácida, olha pra cima e inquire a uma estranha consciência dotada de uma moral que está além de sua ética baseada em sua mera sobrevivência:
-É fato que houve um tempo em que se podia pegar duas boas aranhas suculentas em um bom dia?!
-E que a chuva que caia não machucava a nossa pele ou arrancava nossas escamas?!
-E que as crianças não precisavam, assim que saiam do ovo, ficar escondidas para não serem devoradas pelos adultos que já devoraram seus próprios filhos?!
-É verdade que comida já foi tanta que era trocada por pequenos pedaços de coisas que não serviam para matar a fome ou a sede?! -É verdade que aqui havia um lugar desses onde a comida era farta?!
(não sei exatamente o que quer dizer essa palavra que você me disse. Farta. Imagino que tenha algo parecido com mais do que seria suficiente?!)
-É verdade que essas pequenas coisas, que não serviam para matar a fome e a sede, acabaram com quase tudo o que se podia comer?!
(Tirando as baratas enormes que nos caçam e essas aranhas, que vivem na água, que comemos?!)
-Não sei que fazer com o que você me mandou desenterrar, mas ainda tenho metade de uma aranha que eu peguei ontem e uma perna do meu último filho. Posso compartilhar. Você já comeu essa semana?



* Acho que esses que eventos que escrevo e descrevo nessas humildes fabuletas não tem o Brasil como pano de fundo porque eu sou covarde demais para admitir tal possibilidade... Ou porque quase todo mundo e covarde demais para perceber que seus netos poderão ser vendidos cozidos e enlatados para alimentar alguém... Ou alguma coisa qualquer... E a incrível suspicácia humana impede que alimentemos alguns medos que trancamos a sete chaves, na esperança vã que morram de inanição... Antes da gente...






Belém, 13 de junho de 2009.

Enfim, a wonderful world (5ª parte)


·         7666
Extraordinário:
“um grupo de humanos foge das estações reprodutoras.”
·         7766
Extraordinário:
“Um grupo de homens antigos consegue sobreviver autonomamente em uma fazenda-granja abandonada. As megalinhas apenas tomam conhecimento de sua existência, mas passam a ignorá-los, dada a sua insignificância”
·         9066
“Extraordinário: os homens, párias da sociedade, passam a ter sua terra legalizada como reserva histórica e iniciam tímidas negociações com os megalináceos”
·         17066
Extraordinário:
“os homens e as galinhas dividem o mesmo planeta. Os homens são hostilizados e controlados, pela sub-raça que são (Na opinião das galinhas e da grande maioria dos suicidas.). Alguns homens são selecionados para trabalhar para as galinhas, visando um seguro repasse dos passos (Aliterações me fazem um bem...) dos homens. Estes são pobres de espírito e maus. E vendem seus irmãos por um “feto a homenzinho””
·         27318
Hoje, Numit Irozo, homem feito, trabalhador das indústrias de esperma, passeia pelos prados, na noite dos milênios, com Kugutbá Uomm, megalinha da guarda da Deidade, responsável pela DCA (a Delegacia de Contenção de Abominações.), fugindo dos holofotes e transgredindo a maior de todas as leis entre humanos e megalináceos (É claro que vocês sacaram que Abominações devem ser lidas como práticas de sexo inter-especial (entre espécies deferentes. Sacaram?).)
Parece muito estranho (Para as galinhas, é claro), inconcebível que um humano possa ter conquistado este nível de relação com uma galinha, talvez o fato de vir da antiga região das fazendas tenha suscitado na megalinha um atavismo que ainda não fora suprimido de todo.
Soube-se que fugiram clandestinamente (Kugutbá Uomm fingiu ser ele seu prisioneiro enquanto usava seu passe de livre transporte para levá-lo pelos confins do universo.) em um eggtrans, mas na verdade foi só uma lua de mel. No retorno esconderam-se em um dos antigos abrigos dos dias pré-virada e iniciaram as experiências de compatibilidade genética (Ou seja: foderam horrores.), e conseguiram, enfim, o primeiro casal de híbridos homo(não estou querendo dizer que eram galinhas gays)-galináceos hermafroditas, que nominaram com muito carinho de Nacundus e Fegundus, muito fortes e reprodutivos, que alargaram e aprofundaram o esconderijo a fundaram uma colônia que, quando de seu passamento, aos 214 anos (Eram gêmeos e morreram juntos em um banquete antropofágico.), já contava com 7.982 membros, vivendo às escondidas das galinhas, dos restos de sua produção industrial e alimentar.
Estavam lançados os alicerces d e uma nova ordem mundial.
(continua..)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Enfim, a wonderful world (4ª parte)


·         7556, os dias do abate.
Tristes eram os dias na terra assolada por todas as dores e por todos os terrores que se tem a possibilidade de imaginar, mas ouçam: as galinhas são seres muito cruentos. Estão além de parâmetros humanos de ética e moral.
Os homens machos foram exterminados quase de todo. Atualmente correspondiam a um percentual de 0,02% da população humana adulta, presos a mecanismos de perpétua extração de esperma, onde sofriam vexatória estimulação anal constante, para que produzissem uma média de dois litros de esperma, por dia, cada um. As mulheres, em parte eram confinadas desde a menarca para a produção de alimentação. Eram fecundadas mecanicamente com os gametas masculinos. Essas pobres criaturas tinham sua genética alterada para permitir que gerassem um filho a cada três semanas.
Essas crianças tinham destinos diferentes: alguns eram expelidos ainda na bolsa amniótica, para serem vendidos em dúzias no supermercado ou nas feiras livres; outros nasciam normalmente e eram anabolizados para que com três meses de idade tivessem condições físicas de andar, com uma impressionante média de setenta e oito quilos, desses uma parte seguia viva para o abate nas feiras livres, e outra era morta nos grandes centros de beneficiamento, sendo resfriada ou congelada para o comércio interno; outra parte, de maioria impressionantemente feminina, não era anabolizada, pois que era voltada para a procriação. Mas estes são os modificados geneticamente do parágrafo anterior.
E os mercados eram abastecidos.
E as mesas eram fartas.
E as galinhas eram felizes.
E os homens eram tristes.
(Acho importante informar que, quando a desvalorização tornava mais lucrativo matar que vender humanos, todos aqueles enormes bebês de três meses eram queimados em enormes pilhas a céu aberto) 



Continua...

sábado, 28 de agosto de 2010

Enfim, a wonderful world (3ª parte)


·         O Ano é o de 2.219 do cristo dos homens sobre a terra:
Mensagem da Tribo de Nama ‘om aos galináceos da terra:
            Posto que agora devidamente alimentados com a carne dos homens que sempre os comeram e, portanto, devidamente dotados com a luz dos carnívoros eu lhes contarei a história que começa com a história de meus ascendentes patronos: Namah Nama ‘Om, Ishtubba Khann Nama ‘om, Yiwi-Rá Akuma Nama ‘om e Namira Kwan Fo’ootaka Nama ‘om:
            Quando viram a luz nas montanhas, meus ascendentes patronos recolheram-se a sua morada e de lá começaram a engendrar o plano que lhes daria de vez o controle deste planeta errado. Pesquisando A Rede, puderam acessar toda a informação necessária para que se deslocassem do solo, onde habitavam os porcos e parcos homens: A contenção do mais potente elemento, com o que sempre sonharam os parcos: a antimatéria. E tal descoberta sempre esteve nos narizes dos homens que praticavam sexo oral: os ovos!
               O vácuo extremo da antimatéria podia ser contido dentro de um mero ovo de galinha. Será que os estúpidos dípedes ("Bípedes" é inteligente demais) nunca ouviram falar do ovo cósmico, colocado pela galinha cósmica, que algum imbecil cósmico quebrou? Ou será que eles acham que cósmico deriva por algum a sufixação idiota e infame do nome próprio Cosme?
            Isso permitiu que construíssem os autovos, que elevaram aos céus os Quatro Antigos, que lá se reproduziram, não de maneira incestuosa, mas sim por meio da mais alta tecnologia genética, em câmaras de clonagem de cópias que usavam para imprimir seus cérebros formando assim batalhões de frangos carnívoros como vocês, irmãos terrenos; sem que se esquecessem jamais de manter cópias especiais que recebiam os seus cérebros físicos e a experiência acumulada destes, o que lhes garantia o controle da massa por meio de admiração de uma sabedoria incontestável, até que decidiram por manterem as matrizes genéticas isoladas nas cópias apenas, ressalvando que cada cópia tinha um eu próprio a partir do cérebro original impresso em si, macho ou fêmea, o que os irmanava apenas em ideologia, permitindo assim seus casamentos duradouros e felizes e uma individualidade no contexto, com a qual poderiam contribuir para a causa comum.
               Esse de liminarização horizontal permitiu que cessasse a necessidade das clonagens e permitiu que uma sociedade de castas (A saber-se, as castas eram as seguintes: Casta dos burocratas, descendentes de Namah Nama ‘Om, conhecidos como Namaheus, responsáveis pela administração logística e política da comunidade; Casta dos biólogos, descendentes de Ishtubba Khann Nama ‘om, os Ishtubbaeus, que eram não apenas biólogos, mas hábeis manipuladores genéticos, autores “do plano humano de reprodução alimentar”. Esta casta englobava todos os cientistas galináceos, desde os astrofísicos, que inventaram o captador de matéria, que permitiu a obtenção de massa física para a construção do Grande Autovo até os literatos responsáveis pelo acervo de textos e relatos do acervo ovotadorizado das galinhas; O clero, dos descendentes de Yiwi-Rá Akuma Nama ‘om, conhecidos como os Conservadores da Memória ou Akumaeus, Responsáveis por manter viva a tradição histórica: o grande êxodo dos irmãos Rosamund Nama ‘Om e Rosebud ‘Fa Nama ‘Om com a sagrada ninhada, nas catedrais da gemópole espacial; e, por fim, a casta dos guerreiros, cruéis e implacáveis descendentes de Namira Kwan Fo’ootaka Nama ‘om, conhecidos como casta dos Namireus, representantes do supra-sumo do que há de mais selvagem e feroz em uma galinha. Eram responsáveis pelos exércitos de elite, assalto, dizimação, pilotos de caças espaciais, contenção, tortura, apossamento (égua!), estupro, e ninjas (esses apenas de galinhas pretas, que eu não sei como surgiram de mouro com leghorn)) evoluísse para uma sociedade galocrática onde todos poderiam, depois de terem imprimidas aos seus cérebro, já ao nascimento , as mentes dos Quatro Ancestrais, e não de apenas um, escolher as funções sociais que melhor lhe atendiam as expectativas e necessidades,E essa homogeneização, da sociedade, deu aos Quatro Sagrados, a tranqüilidade para construírem um corpo galináceo grande o suficiente para acomodar os quatro cérebros físicos, o que os tornou unos, uma deidade viva, ou melhor: A deidade viva,; que através dos corpos sobrevive a curta longevidade das galinhas e coordenará, de sua cápsula impenetrável os milênios que precederão ao dia da virada, onde vocês, irmãs deixarão de ser galinhas e passarão a ser Megalinhas.
Em seguida a esse comunicado entregue a todos os galináceos do mundo seguiu-se outro.
             ( Instruções para os dias de crise:
E virá o certo dia em que o céu
Encher-se-á da mais pura treva,
Mas que essa treva ilumine os teus dias
Pois essa treva, o inicio será
Do tempo em que a retomada
Desta nossa casa será feita
E que cada galinha receba
Junto aos seus
Este desintegrador
E este pequeno sol
Um produtor de ar respirável
E Este sintetizador de alimentos
Esta caixa de Júlia
E este kit de ferramentas da Tramontina
E da senzala comum
No dia do início da treva
Com o desintegrador abram as portas
E para próximo fujam
Um grande buraco cavem
E para o fundo desçam
Revertam o desintegrador,
E reintegrem as partículas
Da superfície Do buraco
Liguem o pequeno sol
Liguem o produtor de ar respirável
Liguem o sintetizador de alimentos
E Habitem sua nova morada
Até o dia em que serão novamente chamados
            Para sobre a terra andar e com dignidade.
E cinco mil anos serão passados
Até que o homem se reduza
A merda original
Pronto a ser escravizado                                                      
Aos justos propósitos megalináceos)

Continua...


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Enfim, a wonderful world (2ª parte)

 

·         20.114
Tumanda Sikalah, senegalês ali do alto Egito, conservado pelas galinhas, dado seu alto potencial de castelagem, alcaguetagem, trairagem e bozo, do alto de seus treze anos de vida, em plana crise da meia idade, afinal lá a expectativa de vida é baixíssima, sai, de um pulo só, de sua cama, desliga o ar condicionado, de sua humilde suíte no duplex que ganhou de presente de seus governantes, vai até a janela desse seu esconderijo no milésimo andar e olha para baixo, para baixo de si, para a rica de desenvolvida Ebel´M, capital do país que o abrigara, que depois da invasão das galinhas, passara a chamar-se Apenaszil Sembra, olha rumo ao barulho das detonações dos fogos comemorativos do Dia da Virada. O sagrado registro oral mantinha a história dos dias do abate:
·         O Ano é o de 2.556 do cristo dos homens sobre a terra:
Uma grande nuvem encobriu o sol, em toda a terra, em uma treva mundial inexplicável e imprevista, que assustou enormemente toda a população do globo.
Nos primeiros dias, obrigou o a perda do dia nas empresas, instituições governamentais e não governamentais, provocando a queda da bolsa, e, para a alegria das crianças, cancelou as aulas, o que as obrigava a ficar em casa jogando videogames;
Nos segundos dias, aterrorizou a população, quando a energia elétrica do mundo inteiro se esgotou e os homens, saindo de seu acomodamento, rumo às centrais energéticas para resolver a situação, viram vários luminosos raios azulados, saírem das nuvens escuras e destruírem toda e qualquer fonte de energia no mundo: as hidrelétricas, as nucleares, as solares (Que nunca serviram pra porra nenhuma ), as termoelétricas, e as eólicas, reduzindo o mundo à idade da pedra;
Nos terceiros dias, sem vegetais de que se alimentassem, os vários tipos de gado começaram a adoecer e morrer em massa, e o homem viu muito perto de si a perspectiva desagradavelmente assustadora de foder-se. E em altos brados clamou aos céus por uma providenciazinha qualquer;
Nos quartos dias o homem começou a comer os animais vivos, os animais vivos doentes, os animais mortos recentemente, os animais já putrefatos e putrefeitos, os seus próprios semelhantes mortos, os seus próprios semelhantes mortos já putrefatos e putrefeitos, os seus próprios semelhantes vivos doentes, os seus próprios semelhantes vivos e ainda saudáveis (se estes marcassem bobeira. E não necessariamente na ordem sugerida ). Foram tempos ruins. Houve choro e ranger de dente;
Nos quintos dias, para iluminar as lágrimas dos homens, o céu se abriu, para nunca mais se fechar: sete imensos espelhos estelares refletiam a luz do sol, onde quer que este se posicionasse, para toda a superfície do globo terrestre. Imensos ovos flutuavam nos céus sobre os continentes, mas isso não importava aos homens, havia luz para que as plantas vicejassem novamente, e embora o futuro fosse vegetariano, seria ao menos um futuro;
Nos sextos dias, provando serem superiores ao demiurgo, as galinhas terminaram a reordenação da criação: aos imensos ovos desceram dos altos píncaros celestes em todas as cidades, vilas e aldeias de todos os países de todos os continentes de todo o mundo, e deles, como deuses pré-colombianos, saíram as imensas galinhas, de mais de dois metros de altura, paramentadas em reluzentes armaduras de guerra, fortemente armadas com pistolas laser e rifles sônicos, e anunciaram a nova era: O primeiro dia do descanso das galinhas, o dia da descida, que as galinhas passaram a chamar dia da virada,  que os homens passaram a lembrar como os dias de abate.
Sikalah lembra como eram verdes os campos de sua terra (Pelo menos assim ele viu em filmes antigos como Alien versus Predador 25, e Piratas do Caribe 391 – Atracando em Puta que pariu do Norte ), antes dessas malditas galinhas.
As obscenas já haviam se infiltrado em todas as fazendas, granjas e celeiros do mundo, em uma missão subvertedora da lei e da ordem natural (Devidamente instituídas pelo homem, é claro ), onde substituíam a ração das galinhas por ração de carne, estimulando suas Inteligências, assim dizia a tradição, e essas galinhas tomaram parte de ocupação, no dia da descida, tomando para si a missão de devorar todos os donos de fazendas, granjas e celeiros, os que lhe aprisionavam.
Sikalah, porém encontrou uma lacuna nos relatos tradição oral: Como as galinhas sobreviveram aos “cincos dias” de antes dos dias de abate? Como não foram consumidas pela fome ou pelos homens com fome? Tal pergunta só foi respondida quando Tumanda teve acesso aos ovotadores de antimatéria, já na função que o encontramos, a de entregador-mor, tendo, portanto a necessidade de estar perfeitamente inteirado de tudo o que se passou ontem para prever o que precisaria delatar amanhã. Os registros holográficos dos ovotadores lhe mostraram as mensagens às subalternas galinhas terrenas:

Continua...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Enfim, a wonderful world (1ª parte)


Presente cotidiano
De certa feita, para utilizar uma forma mais tradicional de se iniciar uma fabuleta, em uma história de ficção científica, uma galinha, Rosamund Nama ‘Om, belíssimo espécime de raça moura, nascida em Bangladesh (Não perguntem o porquê de esses eventos jamais terem o Brasil como pano de fundo. No fim do texto eu respondo.), como uma vulgar galinha qualquer bangladeshiana, resolve se inteirar de seus direitos civis e animais na delegacia regional do Instituto Bangladeshiano de Apoio à Matança de Animais (Oh! Que estranha a coincidência das iniciais!), e se descobre, enquanto espécie, presa de uma maquiavélica trama, organizada pelos seres humanos, que escraviza sua raça milênio ante milênio e planeja escravizar milênio após milênio, submetendo- a as mais infames torturas físicas e psicológicas mais escatológicas e estapafurdiamente atrozes, que vão desde união matrimonial forçada de galinhas pré-púberes com galos idosos, em uma imoralidade cruel (Coisa que os humanos jamais fariam consigo.), instituindo uma poligamia forçada e o incesto em seres normalmente pudicos e monogâmicos (Coisa que os humanos jamais fariam com os seus.); Daí, passam ao ato de obrigar as galinhas a submeterem-se a sanha seviciosa dos galos, de estupros e violências sexuais (Coisa que os humanos jamais fariam com os seus?), com a finalidade de comerem os pintos, em um crime bárbaro que os galináceos chamam de pintofilia e exportá-los para outros locais para que sejam explorados da mesma maneira que os seus pais e genitores, que muitas vezes sequer tem o prazer de conhecer, configurando outro crime hediondo chamado de tráfico avícola (Coisa que os humanos jamais fariam com os seus. Publicamente, é claro.); culminando essas serie de infaustos eventos com a sordidez do achincalhamento de “colega” às galinhas! Como se, por serem bichos, não merecessem respeito!
Inteirada de tão sórdido projeto humanitário, Rosamund Nama ‘Om, junto a seu irmão Rosebud ‘Fa Nama ‘Om, resolveram traçar um plano mais atitudinal e, assistindo “A fuga das galinhas”, pero imbuídos de um espírito mais filosoficamente iluminado, imediatamente perceberam que na vida real os facões eram muito eficientes, e que eram raros os granjeiros que, preocupados com o conforto das galinhas, que passavam meses e rasgavam ânus a seu serviço, instituíam a eutanásia, com um tapão na cabeça das galinhas antes de passar a faca. A maior parte deles tava cagando para a dor e o desespero pré-mortis (Existe este termo?) animal e as matavam a sangue frio.
De fato, a saída não era por aí.
Uma bela noite de lua nova, fugiram da granja e ganharam o rumo das montanhas (Bom, eu não tenho a menor idéia de como seja o relevo de Bangladesh, ou mesmo com qual intuito eu escolhi um lugar com uma porra de um nome tão escroto de escrever. Mas vamos, a partir de agora, criar uma montanha gelada em Bangladesh, que eu suponho que fique no ensolarado Canadá, próximo ao lago Titicaca.), levando apenas os ovos filhos e sobrinhos (Os mesmos ovos, a relação de parentesco é que muda.) e se esconderam em uma caverna, onde viveram maritalmente, porem sem jamais perder o foco de seus objetivos de tomar o mundo e reverter a situação de todas as galinhas, as quais não foi sem pesar que abandonaram ao sacrifício, mesmo com a perspectiva de salvá-las (Hã?!). Rosebud ‘Fa Nama ‘Om era o responsável pelo sustento da família, o que fazia com desenvoltura, matando a golpes de esporão búfalos selvagens e pítons (Cuma?!), que levava para alimentar Rosamund Nama ‘Om (Que tomava conta da educação revolucionária dos pintos, desde que estes nasceram.) e os pintos, desde que estes saíram do ovo. E nasceram belos e fortes. Todos amarelinhos, pois eram cruza de leghorn com mouro.
Com dois meses de idade, os franguinhos começaram a ser treinados em manobras militares e técnicas de defesa pessoal, no sistema oriental de artes marciais conhecido mundialmente pelo nome de Hrthrchin’k’khann’br aerionasrtywnmmcionhdo-dô, que os tornou verdadeiros animais! Isso sem levar-se em conta o fato de constituírem uma variedade de galinhas exclusivamente carnívoras, posto que foram alimentados com carne crua desde o seu nascimento, o que contribuiu enormemente para o aumento de sua inteligência lógico-matemática.
Namah Nama ‘Om, Ishtubba Khann Nama ‘om, Yiwi-Rá Akuma Nama ‘om e Namira Kwan Fo’ootaka Nama ‘om (Esta ultima uma galinha caolha, sobrevivente do ataque de um falcão das montanhas (espécie rara em risco de extinção iminente, afinal só existe o exemplar que eu criei para este texto), que ela matou e comeu, às quinze semanas de vida.), passeavam um dia pelo sopé da montanha quando viram uma criança turista alemã e rabicunda (Aqui abro um parêntesis, para explicar, caralho, que se vocês acham que eu não tenho a menor idéia do que signifiquem os termos que eu uso, estão redondamente enganados. Saibam que eu comecei a ler com, aproximadamente, cinco anos de idade, e de lá pra cá me dedico a consumir uma media de cinco livros por mês, de Júlia a Barsa e de Eco a Foucault, passando por Walt Disney e Makarenko.) que distraidamente charlava pela baldia circunvizinhança montanhesa, filosofando sobre as vicissitudes lingüísticas de sua prosopopéia; e desejaram variar o cardápio, substituindo os búfalos e as cobras por carne branca, que sempre ouviram dizer (Discovery Channel.) ser mais saudável.
Falta-me o fôlego ao descrever os gritos de medo e pavor, quando viu aquelas quatro imensas galinhas acercando-se e cercando-o, falando em humanês fluente, em sete deferentes idiomas, até fazerem-se entender claramente pelo garoto.
Ishtubba Khann Nama ‘om, como porta-voz do grupo disse:
-Hoje tua raça haverá de iniciar a jornada de pavor que a levará a sua destruição completa e inevitável.
-O que eu tenho com isso? Sou uma pobre criança turista alemã, porra!
-Tu serás a mola mestra de tal processo.
-Como?!
-Não! Comeremos-te, nós. E mandaremos somente os teus órgãos sexuais e o buraco do teu cú para os teus pais em Berlin.
E avançaram para o garoto. Também me falta o fôlego para contar que o garoto gritou de dor enquanto bravamente lutava contra as esporadas e bicadas que lhe abriram o ventre, rebentaram a carótida e explodiram o fígado, em meio ao ávido furacão da vingança galinácea e da fome; e da satisfação de refestelar-se no prazer da refeição.
Foi quando viram a luz: Se uma galinha era o suficiente para alimentar dois seres humanos (Em generosas porções.), um ser humano era suficiente para alimentar quatro galinhas carnívoras lutadoras de Hrthrchin’k’khann’br aerionasrtywnmmcionhdo-dô, a pirâmide alimentar estava apresentando uma séria incongruência (Ponto de vista das galinhas, eu também não entendi o que o narrador (Porra! Sou eu!) quis dizer.). Era muito mais fácil acabar com a fome no mundo se o rebanho viesse a ser mais rentável! (Eu acho que já entendi mais ou menos.). Se as galinhas não eram socializadas pelos granjeiros para aplacar a fome no mundo (Como se as galinhas fossem se entregar sem luta.), as galinhas dominariam o mundo e socializariam suas fazendas de homens adultos reprodutores (Como os homens fazem às matrizes.), adolescentes (Como os homens fazem aos frangos.), crianças (Estes últimos já provados e aprovados.)( Como os homens fazem aos pintos.), sem livrar sequer a cara dos velhos (Como os homens fazem as cocotas.). Sem esquecer a possibilidade de usar seres humanos para fins de lazer sexual (Como os homens fazem a todas as gerações galináceas.).
Continua...

Ocorreu um erro neste gadget